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2018-07-13 Passou a Copa, tem eleições no meio do caminho...

Minha torcida nesta Taça da FIFA apenas confirmou o que já disse um dia o Jorge Malhão: “o Manoel não entende nada de futebol”. Afinal, torci um pouco pela Seleção que representava o Brasil e deu no que deu... Minha segunda opção era o Uruguai, que deu com os burros na água e voltou mais cedo para casa!

Não tive paciência para assistir a nenhum jogo na íntegra. Até porque, vendo a relação dos salários dos jogadores brasileiros que variavam entre meio milhão e 12 milhões de reais, esperava mais destes atores de um dos espetáculos mais bem pagos do mundo do entretenimento. Não tenho muita paciência para choros e lamentações de quem não corresponde àquilo que recebeu como investimento.

Mas tive, sim, que admirar o quanto os estrategistas desta área conseguiram movimentar para que os meios de comunicação fossem atendidos e confundissem o que deveria ser apenas um bom e saudável passatempo em exercício de cidadania. Guardando ranços de um tempo que se deseja esquecer alguns apelaram para a “pátria da bola” e identidade nacionalista, fazendo com que muitos confundissem o foco.

Declarações politicamente corretas e outras carregadas de interesses pessoais e econômicos. Uma “fake news” (notícia falsa) vinda do treinador do Uruguai propiciava uma das mais sensatas ao aproveitar a exposição da mídia para pedir mais investimentos em educação. Sabendo que os níveis daquele vizinho país já são dos melhores da América, fica a sensação de que, se não disse, deveria ter dito.

De outro lado, um narrador de rede nacional de televisão pediu mais investimentos públicos no futebol como forma de melhorar o desempenho. Ora, em que mundo vive este cidadão sem noção! A solução dos problemas do país não se encontra em propiciar que o futebol se desenvolva - ele já é um grande negócio - e se tem alguém que deveria investir são aqueles mesmos que depois vão ganhar com seus resultados!

Nossas dificuldades iniciam pela educação de base. Quando se pede reformulação e mais investimentos se pensa no seu início, as séries elementares, com estrutura adequada, professores preparados e bem pagos para exercer uma das missões mais sublimes do processo de aprendizagem: auxiliar no início da vida cidadã!

Ainda falta o elementar: temos adultos que não frequentaram a escola, jovens desmotivados e crianças que saem para trabalhar. O que se oferece é insuficiente. No intervalo entre uma e outra copa teremos duas eleições. Um bom momento para se começar a fazer o dever de casa: repensar o sistema político, a máquina administrativa e, quem sabe, ter a humildade de aprender um novo jeito de viver a cidadania!

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Manoel Jesus

Educador



manoeljss@hotmail.com

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