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2018-09-21 “Abre a boca, mãe!”

Cuidar de pessoas, especialmente doentes e idosas, é um exercício diário de paciência e aprendizado, confirma um dos institucionais da organização Médicos Sem Fronteiras: “podemos ser violentos, insensíveis, cruéis, egoístas e indiferentes, mas só quem pode cuidar ou salvar a vida de um ser humano é um outro ser humano”.

Verdade. Quem passou pela rotina de ajudar (e muitas vezes fazer) a higiene pessoal, trocar um curativo, assoar um nariz, levar o alimento à boca, sabe que é preciso não apenas pensar que a pessoa cuidada é alguém que fez parte das nossas histórias, mas que precisa continuar encontrando um sentido para viver.

Atos mecânicos prenunciam a morte. Para que vivam é preciso que vejam razão e sabor nas coisas mais elementares: mantê-las informadas do que está acontecendo, do que se está fazendo e porque se está fazendo, assim como não se cansar de acariciá-las, beijá-las, sorrir e encontrar em traços cansados uma razão para não desistir.

Um dos atos em que se estabelece a cumplicidade entre cuidador e a pessoa cuidada é o da alimentação e da ingestão de medicamentos. Muitas vezes atrapalhados por outras rotinas, é necessário relaxar, postergar compromissos e focar no atendimento: para que um alimento não seja alcançado ainda quente ou que uma medicação não fique parada num canto da boca. Dissolvida é um amargor só.

Vem, então, a clássica frase: “abre a boca, mãe!” A repetição de movimentos cansa o paciente e vai diminuindo a intensidade ou não engolindo o remédio. Não é uma reprimenda, mas um estímulo a consumir o alimento ou a medicação, sempre tão necessário, especialmente quando se alcançou o equilíbrio num tratamento.

O idoso vai ficando “gastinho”, como me disse esta semana uma visita. Mas guarda na essência a capacidade de aceitar o carinho e a gratidão. Talvez não saiba, e embora não consiga a retribuição por tudo o que já fez, confirma a sentença de um post feito pela Ilda: “Quando um homem planta uma árvore sob cuja sombra sabe que nunca haverá de sentar-se, começou, então, a entender o sentido da vida”.

O imediatismo afasta as pessoas dos cuidados com doentes e idosos. São valores egocêntricos: o máximo de prazer no menor espaço de tempo. Nada impede de viver intensamente quando se cuida de quem já foi um ente querido. Ao contrário, compartilhar carências e deficiências é uma boa maneira de se aprender que o tempo passa e, um dia, também vamos desejar que alguém fique ao nosso lado... Nem que seja para, num momento de carinho, apenas dizer sorrindo: “abre a boca, mãe!”

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Manoel Jesus

Educador



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