Terça, 22 de janeiro de 2019, 23:20h


Publicidade

Tordilho
Sicredi

Este conteúdo precisa do Adobe Flash Player instalado.

Get Adobe Flash player


Newsletter

Jornal Tradição

Ano XIII - Número 643 janeiro - 2019

Fechar X

Ano XIII - Número 643

janeiro - 2019


Home Colunistas

Versão do Fato

2018-12-21 "Jesus, amado, feliz aniversário!"

As terras eram estranhas. A casa era estranha. Maria acompanhou o amigo de Jesus, João. Ainda na cruz, havia dito para o discípulo: “eis aí tua mãe!”. E para a mãe: “eis aí teu filho”. Registra a Bíblia que desde aquela hora ficaram juntos. Ajudaram a propagar a palavra que havia anunciado. Passaram por muitos lugares até chegar, enfim, a uma encruzilhada do mundo. Ali era o lugar para onde convergiam os propagadores da Boa Nova, que estavam em todos os recantos conhecidos.

Apesar da idade, fazia todas as lides da casa. Pouco falava, escutava muito daqueles homens e mulheres que vinham sôfregos por saber como era “o mais lindo, o mais brilhante, o mais inteligente homem que já passara pela terra: seu filho, Jesus de Nazaré!”. E era para Nazaré que voltavam suas lembranças quando percebia que dos seus não restara mais ninguém.

Durante um tempo recebeu Lucas que, a pedido de Paulo, queria escrever a vida de seu filho. Passaram tardes sentados à sombra de uma árvore até que precisasse se recolher, cuidar da casa e fazer a refeição para quem estivesse de passagem. Cada lembrança era uma marca em seu corpo. Fechar os olhos era rever as imagens de uma criança que cresceu de forma absolutamente normal. Maria cruzava suas mãos sobre o colo, perdia o olhar no horizonte e recitava de memória momento a momento, palavra por palavra, sentimento por sentimento dos quais havia sido testemunha fiel.

O coração da casa era a cozinha. Lugar onde iniciavam a rotina do dia, ainda antes do raiar do sol. Era preciso reavivar o fogo, remexendo as cinzas e colocando gravetos e algumas aparas que José trazia da carpintaria. Momento em que podiam conversar sossegados. O menino estava dormindo e preferiam não fazer barulho para que descansasse mais um pouco.

Depois o tempo passou muito rápido. E lembrava dos momentos em que ouviu atenta as palavras do filho. Foram lindas. “Bem-aventurados...” e fez com que toda a história do seu povo fizesse sentido. Listou tudo aquilo que haviam conversado desde que um rabino estivera em sua casa e se encantara com o menino que fazia perguntas e, quando necessário, corrigia a falta de lógica entre o que era dito pelos entendidos e o que estava nas Sagradas Escrituras.

Levou um bom tempo para entender que presenciara um momento ímpar na História e que ajudara a tornar mais humana a presença de um Deus que não se contentou em ser atemporal, mas encarnou num tempo em que a mulher, a criança, o doente, o estrangeiro eram os excluídos. Paradoxalmente, ele foi educado por uma mulher, privilegiou o olhar de uma criança, acolheu pessoas que se deterioravam com a lepra e mostrou que aqueles que muitas vezes não seguem a cartilha dos religiosos têm um dedinho carinhoso na acolhida de Deus.

Foi da irmã Ivanete que ouvi pela primeira vez a expressão “Jesus, amado”. Não posso deixar de pensar que Maria também a usou: por vezes encantada, em tom de correção e, no silêncio da ausência, com muita saudade. Celebrar o nascimento do Filho viria a ser uma das grandes festas da humanidade. Mas, naquele momento, era somente uma mãe desejosa de reencontrar na memória o carinho que se perdeu no tempo... exatamente como hoje, para apenas murmurar: “Jesus, amado, feliz aniversário!”  

Comentários (0)





Fechar  X

"Jesus, amado, feliz aniversário!"




Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Manoel Jesus

Educador



manoeljss@hotmail.com

Arquivo

Publicidade

Publicidade



Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: jornaltradicao@jornaltradicao.com.br / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados