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2019-03-01 “Que nunca nos falte o ar”

A parte interna das alianças de compromisso é o lugar onde são colocadas as iniciais daqueles que se amam, assim como uma jura do tipo: “amor para sempre”, “eternamente teu”, “até que a morte nos separe”... mas daquele casal que se conheceu enquanto esperava pela doação de órgãos, havia um apelo: “que nunca nos falte o ar!”

Para quem está na fila à espera de um transplante que permita a continuidade da vida, a deteriorização, muitas vezes, começa pelo cansaço, a dificuldade de fazer as coisas mais simples e a falta de ar. Nestes casos, o esforço a mais pode causar desgaste em busca de um ar que custa a encher os pulmões, transforma-se em energia desmedida que uma pessoa normal não pode avaliar pelo simples motivo de que é um ato natural exercido por seu corpo.

A matéria chamava a atenção até pelo fato de que, com suas defesas baixas, não podiam sequer se aproximar muito. Mas tem o compromisso um com o outro: lutar pela vida e olhar para o horizonte pensando no dia em que a possam compartilhar. Encontraram um motivo que vai além da própria cura. O que deveria ser um tratamento difícil, com momentos carregados de angústias e tristezas, se transformou em esperança. Apoiar e incentivar o outro torna mais fácil vencer a própria dor.

Neste período do ano, é comum que os hospitais e hemocentros façam campanhas pedindo que a população se conscientize. A mais elementar é a doação de sangue, gesto simples, que pode se transformar em corriqueiro, entrar na agenda individual ou feita por grupos de amigos, ao menos duas vezes ao ano. A medula é um exame realizado nos hemocentros, colocando à disposição mais um doador, que faz a diferença para aqueles que buscam retomar uma vida normal...

A doação de órgãos ainda vem acompanhada de muitos preconceitos. Mas, cada vez mais, se veem pais mais jovens doando órgãos de filhos vítimas de violência, procurando sentido para a interrupção de uma existência, a razão para não perder a fé na humanidade e acreditar que a vida do ser amado, de alguma forma, valeu a pena.

Quando a minha mãe faleceu, em meus braços, fez um último esforço ao fechar os olhos: a derradeira arfada em busca de um ar que não encheria mais seus pulmões. De uma coisa corriqueira que nem nos damos conta para quem precisa de uma doação de órgãos se transforma em compromisso: “que nunca nos falte o ar!”. O ar que dá sabor à própria vida, permite a caminhada, exercícios, cuidar da casa, trabalhar ou entrelaçar as mãos e jurar que se espera ficar sempre juntos... “até que a morte nos separe!”.

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Manoel Jesus

Educador



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