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2015-09-08 Bicicleta - A sagrada arte do bem conviver

Era uma bicicleta simples, das antigas, de ferro, que tem uma estrutura apropriada para carga. Na simplicidade condizente com o ciclista, uma caixa de legumes estava amarrada sobre o bagageiro. O que a diferenciava de todas as outras que passavam pela ciclovia daquela avenida era a carga que levava: um menino, com dois ou três anos, mãozinhas firmes nas laterais da caixa, usufruindo da aventura que o pai lhe propiciava, com os olhinhos irradiando confiança naquele que o conduzia.

Muitos ciclistas profissionais vão torcer o nariz: a minha descrição está errada! E as medidas mais elementares de segurança? Como um pai pode arriscar a vida do próprio filho numa situação precária sem aquilo que todos sabem ser o certo para equipar uma bicicleta, que dê segurança tanto ao condutor, quanto a alguém que o acompanhe?

Andando em meio a muitas bicicletas, algumas custando até dezenas de vezes a mais o preço da que usavam, pai e filho usufruíam do prazer de circular por estas “vias modernas” que, hoje, se fazem presente em muitas de nossas ruas. Mas ainda há muito que fazer se comparado com outros grandes centros, onde este transporte, realmente, se transformou em alternativo.

Há, ao menos, dois tipos de ciclistas em nossas vias: um que dirige por prazer, esportividade, prática de exercício. Outro, que usa como instrumento de transporte próprio. O primeiro pode discutir que as ciclovias cortam a cidade numa justa e necessária reivindicação para que se humanizem as relações nos transportes. O segundo usa o que tem e o que inventa: no início da manhã de cada dia, há uma procissão de bicicletas que percorre as ruas das vilas e dos bairros, em condições precárias, mas das quais não têm como fugir.

Muitos amigos que voltaram a usar a bicicleta dizem que têm medo de sair às ruas. Infelizmente, aquilo que os motoqueiros mais conscientes já diziam, agora vale para os ciclistas: o desrespeito por parte de muitos carros, caminhonetes, caminhões, ônibus... Tentando empurrar as “bikes” para o acostamento ou para as calçadas, onde, inadequadamente, terão que disputar espaço com os pedestres. Uma das mais trágicas e funestas “regras” de relacionamento: “o maior engole o menor”.

Entre o prazer e a necessidade, fiquei com a imagem daqueles dois: não sei se o pai estava fazendo apenas um passeio ou se ia para algum lugar prestar algum tipo de serviço. Estava bem de secretário! Na precariedade dos equipamentos que usava, falou mais alto a criatividade. Possivelmente não pudesse equipar a bicicleta com todas as tralhas que os especialistas recomendam para andar com uma criança. Mas cumpriam o ritual de relacionamento entre pai e filho: o jeito como conversavam, a alegria de ambos, a cumplicidade no andar pela cidade, suplantava qualquer restrição que técnicos de segurança apresentassem.

Parodiando uma velha máxima, poderia se dizer: no frigir dos ovos, somos todos pedestres. Ninguém veio equipado para o transporte, a não ser com as próprias pernas. Então dependemos do que a engenhosidade humana criou para encurtar as distâncias. Há uma parte fundamental que o setor público precisa providenciar: espaços adequados e bem delimitados; mas também a consciência de que, seja numa bicicleta ou no carro mais sofisticado, o objeto perde o sentido se não pudermos fazer dele um “meio” para a sagrada arte de ir e vir - a sagrada arte do bem conviver.

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Manoel Jesus

Educador



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