Quarta, 20 de fevereiro de 2019, 08:27h


Publicidade

Tordilho
Sicredi

Este conteúdo precisa do Adobe Flash Player instalado.

Get Adobe Flash player


Newsletter

Jornal Tradição

Ano XIII - Número 647 fevereiro - 2019

Fechar X

Ano XIII - Número 647

fevereiro - 2019


Galerias

Publicidade

Especiais

Jornal Tradição

Caderno Especial Expofesta da Melancia de Pedro Osório 2019/02

Assine


Home Colunistas

Versão do Fato

2019-02-08 “Boa noite, mãe!”

Na manhã do dia 26 de janeiro a mãe partiu. Da mesma forma como viveu, tranquilamente, apenas apagou em meus braços, na cama em que a encontrava todas as manhãs para a primeira medicação do dia. Assim como à noite, depois de rezar o Pai Nosso, com um anjinho que a acompanhava nos últimos anos, deixava o cd do padre Zezinho tocando e a luz acesa, garantindo que voltaria... com um beijo.

Quase sempre, ao retornar, já a encontrava dormindo. Abençoava-a rezando o “Santo Anjo...” e dando graças a Deus por mais um dia. Nos últimos tempos, com o acerto das cuidadoras e das medicações, aos 93 anos, era um quadro estabilizado que me levava a pensar que viveria ao menos até os 94, 95 anos. Mas o coração falhou. E ela não disse mais nada enquanto “adormecia”, ainda olhando para mim...

O tempo de preparação para o enterro é rico em recordações e reencontros. Pude ouvir e entender a história de meus pais - que aos 30 anos saíram do interior de Canguçu como migrantes - assim como muitos outros casais. Havia mais coisas além dos fatores econômicos - família grande, pouca terra, a pobreza se instalando -, mas ainda era um tempo em que as famílias se preocupavam uns com os outros.

Os irmãos mais velhos ficavam na terra e os mais novos saiam para tentar a sorte. Ajudando do jeito que desse: quando alguém vinha para a cidade, mandavam todo o tipo de provisão; nas férias acolhiam as crianças, propiciando a economia de alguns trocados com a comida. Uma amiga contou que a família recebeu o irmão do pai em situação de bastante dificuldade. Jovem, o rapaz voltava das aulas faminto e, possivelmente, não soubesse que a sua janta era a comida que a dona de casa trocara por uma xícara de café e um pedaço de pão...

O cobertor era curto, mas de alguma forma sempre abrigava mais um. Do jeito que entendiam a vida encaminharam seus filhos. Alguns partiram bem mais cedo do que se esperava e chegou o momento que, de cuidadores, passaram a ser cuidados. Nunca me eximi desta responsabilidade. Mas gostaria de ter feito mais. Confesso que nos últimos tempos ser responsável pela mãe era um fardo leve e muito bom de carregar. Já não eram palavras que nos aproximavam, mas olhares, sorrisos, toques...

A vida seguiu o seu curso na véspera de sua morte, uma sexta. Fechar a casa, apagar as luzes, cuidar se seu sono estava normal. Murmurar um: “boa noite, mãe!” e dar mais um beijo... Na sua despedida, olhando para seu corpo, pensei no quanto sentiria sua falta. Era, mais do que a dor, uma ausência nas coisas simples: ajudar a trocar uma roupa, colocar na cadeira de rodas, alcançar um alimento, assoar um nariz... a vida que alimenta nossas lembranças e instala no peito uma imensa saudade!

Comentários (0)





Fechar  X

“Boa noite, mãe!”




Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Manoel Jesus

Educador



manoeljss@hotmail.com

Arquivo

Publicidade

Publicidade



Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: jornaltradicao@jornaltradicao.com.br / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados