Sábado, 22 de novembro de 2014, 14:17h


Publicidade

Classificados

Este conteúdo precisa do Adobe Flash Player instalado.

Get Adobe Flash player


Newsletter

Jornal Tradição

Ano 2014 - Número 428 novembro - 2014

Fechar X

Ano 2014 - Número 428

novembro - 2014


Galerias

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Especiais

Jornal Tradição

Especial Semana Farroupilha 2014 2014/9

Receitas

Sorvete caseiro

Assine

Perfil


Home Cultura e turismo

Cultura e Turismo

21-11-2014

Especial: Cerro dos Porongos perpetua maior massacre da Revolução Farroupilha


Foto: Tainã Valadão Cerro dos Porongos foi palco do massacre há 170 anos

No dia 14 de novembro completaram exatos 170 anos do fatídico massacre ocorrido no Cerro dos Porongos, já no penúltimo ano da guerra entre o Império Brasileiro e os revolucionários do Rio Grande do Sul, que haviam proclamado a independência em 11 de setembro de 1835. 


As circunstâncias que envolveram esse embate estre as forças revolucionárias comandadas por Davi Canabarro e as legalistas sob ordens do famigerado general Francisco Pedro de Abreu, o “Moringue”, são desconhecidas até hoje. Todavia, é inegável a carnificina que vitimou centenas de negros, integrantes do 1º Corpo de Lanceiros Negros do Exército Republicano.



Os negros, na maioria das vezes esquecidos pela história, durante a guerra entre Brasil e Rio Grande do Sul (1835-1845) foram os verdadeiros protagonistas. Divididos em quatro Corpos de Lanceiros, eles faziam a linha de frente de qualquer combate, mostrando-se eximíeis guerreiros e vencendo batalhas em que encontravam-se em desvantagens.


A promessa de alforria não somente para os bravos combatentes, mas também para todos de sua etnia, até então escravizados pelo Império, era o que realmente motivava esses escravos a muitas vezes evadirem de seus cativeiros para ingressarem espontaneamente no Exército Farroupilha.


As tropas de Canabarro estavam acampadas no Cerro dos Porongos, localidade pertencente na época a Piratini e que hoje integra o interior da cidade de Pinheiro Machado, quando foram pegos de surpresa naquela madrugada de novembro. 


É muito divergido e não existem números precisos da quantidade de negros assassinados naquele combate, porém estimasse que mais de 300 lanceiros tenham tido a vida ceifada por legalistas. 


A magnífica obra “Revolução Farroupilha – Heróis e Traidores”, do escritor João Jaime Canabarro Rocha, fala que além do demasiado número de baixas, os imperiais prenderam 333 republicanos, inclusive 35 oficiais e o ministro da fazenda José Francisco Vaz Viana.


Joaquim Teixeira Nunes, ou “Gavião” como era conhecido, era o comandante dos lanceiros negros e lutou heroicamente junto a seus subordinados. Vendo a impossibilidade de vitória, Teixeira Nunes obrigou-se a fugir, sendo morto pouco dias depois, na Batalha de Arroio Grande, em 26 de novembro de 1844. Esse foi o último conflito deste decênio farroupilha.


Davi Canabarro, herói ou traidor?


Como comandante-em-chefe do Exército Republicano, José Davi Martins, ou Davi Canabarro como passou a assinar-se a partir de 1836, em homenagem ao seu tio e sócio Antônio Ferreira Canabarro, que havia falecido, foi um dos maiores líderes farrapos.


No início do conflito, ele tinha 39 anos, era um próspero fazendeiro e estava decidido a manter-se alheio ao movimento revolucionário que imperou em 1835. No entanto, a Monarquia começou a pressioná-lo, inclusive fazendo ameaças de morte, o que o motivou a proferir a célebre frase: “Ora se me hão de matar em casa, com um cevado, que me matem no campo com as armas na mão”. 


Com isso, Canabarro adere ao movimento separatista e rapidamente, devido a sua experiência militar de ter lutado na Guerra da Cisplatina, recebe promoções. Seu ápice foi em 1839, quando foi tomada a cidade de Laguna, em Santa Catarina, e proclamada a República Juliana. Foi nesse momento, que o então coronel foi elevado ao posto de general, mais tarde reconhecido pelo presidente da República, Bento Gonçalves.


Contudo, a história tende a ser maléfica com Davi Canabarro, que desde o desastre de Porongos, é taxado por muitos como traidor da Província. A dúvida paira é sobre um possível acordo entre o general farroupilha e Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias. 


Posteriormente ao Massacre de Porongos, foi ventilado um documento que ficou conhecido como “Carta de Porongos”, escrita por Caxias e destinada a Chico Pedro, dando conta da hora e local em que deveria ser atacada a tropa republicana. 


Nela, é indicado como deveria ocorrer o ataque, dando a entender do acordo entre os dois. Sobretudo, é salientado para que poupe-se sangue de brasileiros e que ninguém soubesse do acerto.


Existem duas hipóteses debatidas e divergidas por historiadores e pesquisadores. A primeira, é que já estavam acontecendo tratativas para a paz, visto que a República encontrava-se falida e não tinha condições de continuar a guerra.


Um dos grandes entraves para a assinatura desse documento, que mais tarde ficaria conhecido como “Tratado de Poncho Verde”, era a libertação dos escravos, incogitada pelo Império Brasileiro. 


Sob alegação do fim do conflito, teria partido uma ordem de Canabarro para que os negros fossem desarmados e ficassem exclusos do resto dos soldados. Defendendo essa tese, há quem diga que para fazer menos barulho, os caramurus colocaram as fardas dos negros nas patas de seus cavalos. Isso confirmaria a traição de Canabarro.


Entretanto, existe ainda uma outra versão veemente defendida, que seria da surpresa do ataque e falsificação da carta de Caxias para Moringue. Como Davi era o comandante-em-chefe e após o afastamento de Bento Gonçalves virou o nome mais influente da República, era pertinente ao Império desmoralizá-lo perante suas tropas. Moringue teria se aproveitado da incontestável e soberana vitória em Porongos para confeccionar uma carta, forjando a assinatura de Luís Alves de Lima e Silva, na época Barão de Caxias.


De acordo com João Jaime, o major João Machado de Moraes é que teria tido essa incumbência. De outro modo, em um documentário sobre a história dos Lanceiros Negros, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) atesta a veracidade dessa carta, o que ratifica a traição.


A dúvida da traição ou surpresa de Davi Canabarro perpetuará, ao menos até que encontre-se outro fato de relevância para que se possa concluir definitivamente as minudências desse afamado Combate de Porongos. 


Fazendo uma singela adequação em uma memorável frase do saudoso Oswaldo Aranha, pode-se dizer: “É impossível escrever a história do Rio Grande do Sul, sem molhar a pena no sangue negro”. 


Evento marcou passagem dos 170 anos do Combate de Porongos


O Poder Público de Pinheiro Machado, promoveu na data alusiva aos 170 anos do Combate de Porongos, um dia repleto de atividades e que antecedeu o início da Semana da Consciência Negra.


Dentre os turistas que fizeram-se presentes, esteve uma caravana de Piratini composta por 17 pessoas. A presidente do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Maria Rosangela de Oliveira Rodrigues, de 52 anos, enalteceu o resultado do encontro. “É muito importante relembrarmos nossas origens. Nossos ancestrais pelearam em uma guerra para nós estarmos aqui hoje”, ponderou.


O gestor da Secretaria de Administração e integrante da Comissão Organizadora do evento, Luiz Henrique Chagas, explicou como esse episódio inclui a cidade no contexto histórico do Rio Grande do Sul. “Esse massacre de uma forma triste e lamentável destaca Pinheiro machado. É de grande importância manter viva a história, cultura, e principalmente a memória dos lanceiros negros”, ressaltou. 


Um problema que acabou dificultando a vinda e localização de turistas foi a falta de placas indicativas. Sobre esse tocante, Chagas justificou-se e prometeu melhorias para os próximos anos. “A sinalização já foi feita, mas lamentavelmente foi destruída. A intenção do prefeito, Felipe da Feira, é construir um pórtico de acesso ao local e trabalharemos para isto.”, explicou.


Representando o Governo do Estado, marcou presença o diretor técnico da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), Luiz Claudio Nunes Knierim. O diretor avaliou o transcorrer do evento. “Com certeza Pinheiro Machado está recuperando um pouco dessa importante história da Guerra Farroupilha. Como historiador, posso falar que é um processo lento e gradual, mas que a população com o tempo vai se conscientizar”, mencionou.


Outras notícias desta editoria

Comentários (0)





Fechar  X

Especial: Cerro dos Porongos perpetua maior massacre da Revolução Farroupilha





O Jornal Tradição Regional não se responsabiliza pelo conteúdo do comentário e se reserva ao direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.


Serão vetadas as mensagens que:


  • Não tratarem do tema abordado na notícia;
  • Sejam repetidas as enviadas pelo mesmo leitor, ainda que com outras palavras;
  • Tenham intenção publicitária, de propaganda partidária, eleitoral ou comercial;
  • Tenham conteúdo ou termos obscenos ou ofensivos;
  • Incentivem racismo, discriminação, violência, medo ou outros crimes;
  • Promovam participação de correntes, spams ou lixo eletrônico.


As opiniões expostas não representam o posicionamento do Jornal Tradição Regional, que não se responsabiliza por eventuais danos causados pelos comentários. A responsabilidade civil e penal pelos comentários é dos respectivos autores. O usuário tem ciência e concorda expressamente com a prerrogativa de restringir quaisquer conteúdos que violem ou que possam ser interpretados como violadores às disposições do presente instrumento.

Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Fechar  X

Especial: Cerro dos Porongos perpetua maior massacre da Revolução Farroupilha


Enviado com sucesso!

ok


Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: jornaltradicao@jornaltradicao.com.br / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados