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19-05-2017

A variedade e resistência do feijão orgânico em Piratini


Foto: Larissa Moraes/JTR 30 variedades, totalizando 2 mil quilos, foram expostas, muitas delas comercializadas com valores entre R$ 6 e R$ 15

Durante toda a manhã e tarde de quarta-feira (17), Piratini recebeu a 3ª Feira do Feijão Orgânico. Além do prestígio da comunidade, o evento contou também com a presença de autoridades locais e regionais do ramo do plantio orgânico. A Feira é organizada pela Associação de Produtores Ecológicos do Assentamento da Conquista da Liberdade (APECOL), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Habitualmente, a Feira já é realizada, em menor escala, todas as quartas-feiras, na praça Inácia Machado da Silveira, mais conhecida por Palanque, com venda também de produtos coloniais, como cucas, pães e geleias.


O produtor e presidente da APECOL, José Gabriel Venâncio, mais conhecido por “seu Bilio”, ressalta a grande importância do evento. “É de uma alegria imensa porque expor produto de qualidade orgânica e ecológica é expor saúde para a comunidade, então fazer isso é de uma satisfação muito grande. Dizer que o evento faz esse movimento lindo que nós temos aqui hoje, aonde as pessoas vem, olham e tocam no produto pra ver que é verdadeiro, limpo”, diz ele, completando: “A qualidade é surpreendente e é o nosso povo que está produzindo. Lembrando também que termos feijão nesse período do ano sem nada de produtos químicos significa que nosso povo, além de saber produzir o produto de qualidade, também está sabendo fazer o armazenamento adequado”, avalia.



Os alimentos orgânicos, basicamente, são aqueles que utilizam técnicas de plantio que não prejudicam o solo, produzidos de forma natural e em pequena escala, sem depender do uso de agrotóxicos, que são pesticidas altamente tóxicos usados para combater as pragas, mas que aumentam riscos à saúde - de quem planta e de quem come -, tendo em sua fórmula até mesmo substâncias cancerígenas.


A extensionista da Emater-RS/Ascar, Luciana Pranke, fala um pouco sobre quanto o evento e seus resultados são importantes para a entidade. “Este evento fomenta, principalmente, a comercialização de produtos. A gente incentiva e acompanha a produção agrícola, e faz toda prestação de assistência técnica. Mas eventos como esses, que fomentam o comércio desses produtos, são importantes, pois é o fim da cadeia. A gente estimula a plantação, o cultivo correto e a comercialização vem para finalizar, é a decorrência de todo processo. Então, mostra-se o trabalho finalizado, o resultado do trabalho realizado durante todo o ano”, conta.


Os feijões, grande atração da Feira, tiveram total evidência, com a exposição de 30 dos mais de 300 tipos, todos livres de agrotóxicos e totalmente orgânicos. As 16 famílias responsáveis pela produção realizaram a venda e em cada saco do produto havia informações com o nome do tipo e o nome da família produtora, promovendo aproximação entre produtor-consumidor, o que normalmente não se vê nos mercados. E é exatamente essa a ideia, aproximar o consumidor do produto saudável, que também é muito mais barato do que os preços convencionais.


A produtora rural Roberta Coimbra explica o trabalho das famílias. “Nós temos uma proposta no nosso grupo, até porque nós somos produtores ecologistas, que é a proposta de resgate da biodiversidade. Um dos talentos aqui dessa região é a de produção do feijão. Então, a gente tem um trabalho há mais de anos junto com a Embrapa, Emater e Bionatur, que é a nossa cooperativa de sementes agroecológicas, no resgaste de variedades de feijão. Quando aumentamos esse trabalho, resolvemos divulgar melhor, não sempre em Porto Alegre, mas sim mostrando para o nosso povo de Piratini o trabalho que está sendo feito aqui, pra que ele possa saber que temos no interior algo acontecendo, e também já tentando trazer mais pessoas para o nosso meio”, indica Roberta.


A Feira teve abertura oficial às 10h e foi até às 18h. Paralelamente, e integrando a programação, no galpão de rondas do CTG 20 de Setembro, às 12h, foi comercializada uma feijoada a preço popular.


Já durante a tarde, ocorreu um debate sobre produção orgânica com alunos das escolas Adão Pretto e Vieira da Cunha, ambas do interior do município. Ao final da Feira, os organizadores relataram satisfação com o resultado, já que algumas qualidades dos feijões acabaram esgotando. Para o próximo ano, de acordo com as expectativas, a projeção de procura será ainda maior.


Redator: Tradio Regional



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