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Saúde

06-10-2017

Gestor explica a possibilidade de venda do Hospital de Caridade de Canguçu

Foto: Augusto Pinz Gestor concedeu entrevista sobre os rumos do HCC

Com dívidas na casa dos R$ 30 milhões e sem alternativas para sanar as despesas, o Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) segue com possibilidade de fechar as portas até o dia 15 de outubro, quando vence o prazo de 30 dias de último suspiro anunciado pelo gestor Mario Luiz Ribeiro Fonseca.


O gestor conversou com o JTR na última semana sobre a situação da casa de saúde. Na pauta, foram abordadas questões como os reflexos na região em caso de fechamento, a possibilidade de venda da instituição, o envolvimento dos empresários, entre outros temas.



A situação atual


Mario Fonseca: O Hospital de Caridade é a empresa mais complexa, dentro de Canguçu, para se fazer a gestão. Os recursos são pequenos e os gastos são volumosos. A complexidade de um hospital inclui desde os custos elevados de manutenção, como a preocupação com a compra de medicamentos em uma quantidade considerável para não faltar, nem perder a validade. Hoje, todas as cirurgias estão suspensas e estamos sem internação via pronto-socorro. Após o atendimento, os pacientes ficam na sala de observação, pois os médicos internistas não estão recebendo sobreaviso para fazer a internação. Atualmente, o Hospital está praticamente vazio, com cerca de 34 pacientes.


Prazo até o dia 15 de outubro


M.F.: No dia 15 de outubro, vence a primeira parcela da dívida de R$ 2,3 milhões com os 30 médicos do Hospital. A primeira medida (em caso de fechamento) já está sendo tomada: suspender as internações e, aos poucos, desativar o atendimento. Somos referência para cidades como Santana da Boa Vista, Morro Redondo e interior de São Lourenço do Sul, Cerrito e Arroio do Padre. Fazemos entre 50 e 60 internações mensalmente e o atendimento emergencial para duas mil pessoas por mês.


Falta de reajuste na tabela SUS


M.F.: O Hospital vem com um problema de endividamento crescente nos últimos anos, devido aos financiamentos que faz para a saúde. O custo para um paciente internado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), hoje, gira em torno de R$ 200 por dia, desconsiderando medicamentos e honorários dos médicos. O problema é que o SUS nos repassa em torno de R$ 22 por dia. Isso é pouco mais do que 10% do custo que temos. A tabela SUS não é reajustada há pelo menos 10 anos.  As contas de luz e água tiveram um elevado reajuste nesse período, enquanto a tabela congelou. Esse constante financiamento é que vem causando esse desequilíbrio financeiro.


Intervenção da Prefeitura


M.F.: Houve uma série de problemas durante o período da intervenção feita pela Prefeitura de Canguçu (de maio de 2013 a abril de 2014), quando o poder executivo assumiu a gestão. Eles foram atrás de recursos, esses recursos vieram, mas não foram equacionadas as dívidas. Pelo contrário, a dívida na época estava em R$ 2,8 milhões e, com o final do período da intervenção, ela foi para R$ 15 milhões. Isso se deu pelo estendido parcelamento da dívida. Eles aumentaram o prazo do parcelamento, não conseguiram abater a dívida e a conta aumentou. Nesse período, aumentaram o número de funcionários de 114 para 300, estourando a folha de pagamento.


Reflexos do fechamento 


M.F.: Em caso de fechamento, o Pronto-Socorro é um compromisso que deverá ser assumido pelo município. A administração teria de realizar todo o atendimento, implementando-o no pronto atendimento. Ainda teria outro agravante: o transporte de pacientes para outros hospitais da região. O fechamento levaria toda a região a entrar em colapso. Pelotas não teria como absorver a demanda extra. Rio Grande está em uma situação pior do que a nossa. Piratini possui um hospital pequeno. A 3ª Coordenadoria Regional da Saúde chegou a elogiar o Hospital de Caridade de Canguçu e apontá-lo como uma referência em estrutura e atendimento para a região. O fechamento afetaria a todos, enfim. É importante destacar que o fechamento ou a venda do Hospital possivelmente afetaria a economia local. Tendo em vista que o atendimento SUS poderia ser transferido para outro município, a comunidade deixaria de consumir aqui. As farmácias e o setor de alimentação seriam algumas pontas que mais iriam sentir.


Possibilidade de venda


M.F.: Há alguns anos, um empresário esteve interessado em comprar o HCC. Na época, havia uma dívida de R$ 60 milhões da casa com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que levou o empresário a se distanciar por um período de tempo. Com essa dívida sanada, colocou-se em pauta a possibilidade de venda e novas conversas surgiram com o mesmo nome. Atualmente, o Hospital possui 90% dos leitos para atendimento via SUS e o restante, 10%, para particulares. Em caso de venda, ele se tornaria 100% particular, não atendendo mais pelo SUS. Nesse caso, a Prefeitura poderia comprar serviços para a comunidade, como alternativa ao transporte de pacientes para outros municípios. Em caso de venda, seria feita uma avaliação patrimonial, de bens e recursos. Após, uma consulta de interesse regional, dando prioridade de compra para o município. Em caso de não haver interesse, seria ofertado ao governo do Estado para ver se teria uma entidade com condições de manter o repasse dos recursos e os serviços do SUS. A terceira alternativa seria a venda para uma entidade privada. O dinheiro da venda seria destinado para sanar as dívidas trabalhistas, sociais, fornecedores, CEEE e Corsan. Como não existe hoje uma personalidade jurídica no Hospital de Caridade - um proprietário - pode-se dizer que o HCC pertence à comunidade. Havendo sobra de recursos com a venda, o saldo deveria ser repassado ao município, que é o mantenedor do Hospital hoje.


Apoio dos empresários


M.F.: Só temos a agradecer a comunidade por jamais abandonar o Hospital. A cozinha tem sido mantida, basicamente, pelas comunidades religiosas que fazem doações diariamente. Os empresários, no sentido geral, irão perder com a desativação do Hospital. É o momento de repensarem o HCC como propriedade da comunidade. A maioria dos empresários já fizeram parte da sociedade mantenedora do HCC. Muitos deles dizem não passar recursos por não haver transparência para mostrar o destino desses recursos. Convidamos os empresários que tenham interesse em ajudar para que nos procurem, pois estamos abertos para mostrar as contas. O HCC é uma entidade filantrópica. Para as empresas que fizerem doação, podemos fornecer uma nota fiscal de doação para ser usada em benefício fiscal, para abatimento do imposto de renda.


Legado de dívidas vencidas de administrações anteriores do HCC*:


Dívida com bancos (Banrisul/Caixa/Unicred): R$ 8 milhões


Dívida com a CEEE: R$ 4,5 milhões


Dívida com a Corsan: R$ 3,5 milhões


Dívida com médicos dos anos de 2015/2016: R$ 3 milhões


Dívida com fornecedores (medicamentos e isumos): R$ 3 milhões


Dívida à Receita Federal - Tributos e impostos: R$ 2,6 milhões


Provisão referente a dívidas trabalhistas/judiciais: R$ 2,5 milhões


Provisão para pagamento de férias vencidas: R$ 600 mil


Dívida com empregados (13º salário/2016): R$ 350 mil


Dívida com Fundo de Garantia (FGTS): R$ 300 mil


Dívida com advogados e escritórios contábeis: R$ 20 mil


*Dados apresentados pelo gestor do HCC, Mario Fonseca, em 15/09/2017


Redator: Tradição Regional



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